6 de abr de 2014

EI MENINA,


Ei menina, te acalma. Senta aqui e vamos conversar, falar alivia a dor. Talvez seja por isso que vim até aqui, pra falar, porque na verdade tá doendo do lado de cá também. A gente sempre pensa que tais coisas não acontecem com gente, ou que é coisa só de novela, mas é pior, na novela a gente dá uma de guru da vida dos outros e resolve, mas quando é o nosso calo que aperta não tem sapato frouxo que dê jeito.

Menina, mesmo que não esteja doendo aí e que tu queiras passar esse texto logo lá pro final eu te peço pra ler, porque na verdade eu só quero ser escutada. Se não tiver doendo agora, eu sei que alguma vez já doeu e tu deves saber como é bom falar. Falar pra qualquer pessoa, ou pra ninguém, mas externar de alguma forma.

 No meu caso eu queria falar de tanta coisa que eu acho injusta no mundo, de quantas saudades eu tenho do passado, de tanta falta que eu tenho do meu avô, da minha pressa de terminar logo a faculdade e ter meu emprego. Queria falar de como o ultimo carinha que fiquei foi sacana e da vontade que eu tenho de ir lá no facebook dele e dizer que quem perdeu foi ele. Falar sobre como meu pai me dá orgulho por ser o único dos oito filhos que está com a mesma mulher até hoje, e ela é a minha mãe. Dizer sobre como esse dia está sendo triste pra mim, mesmo tendo uma grande impressão de ser apenas tpm . Sim, eu tenho, e muito.

Mas, ei menina, mesmo com tudo isso eu te peço pra não deixar de falar. Falar pra mim, falar pro nada, falar no meio das lágrimas e em cima da dor, falar enquanto sorrir de forma bem falsa, falar de alguém para alguém. Todo mundo fala, nem pense que não. Falar que nem eu que já tô finalizando o texto e você nem percebeu que enquanto eu só reclamava e você se encaixava em cada quesito a dor foi passando, ou disfarçando, sei lá.
Só não se sufoca, por favor.

Aline Paulino.