16 de jan de 2014

COLEGIAL DE 2007

Se chegarem pra mim e perguntarem qual a melhor época que já vivi, vou falar sem nem pensar um segundo que seja que foi o ensino médio. Esses dias eu tava prestando atenção que eu fui abençoada pra caramba com os amigos que fiz por lá. Confesso que fico aborrecida quando alguém me fala que não tem muito contato com os amigos da escola, das duas uma: ou eles eram muito chatos, ou a pessoa era muito chata, e vamos combinar que é mais fácil alguém está errado que uma turma toda.

Comecei no ensino médio em 2007, já entrei detestando o colégio assim de cara, além dele ser integral estudava lá o meu ~ex amorzinho~ e a menina que eu mais detestava na vida. Ótimo né? Hoje falo com os dois numa boa e se não fosse esse período lá os dois ainda estariam engasgados aqui. Fui a chatinha-nerd-amiguinha da prof de matemática até o meio do ano, depois vieram as primeiras feiras culturais e o negócio desandou. Ou melhor começou a andar!

Soou o primeiro apito do interclasse. Não sei se é por causa da idade, mas ô povo pra suar. Também não sei se é por cauda da idade, mas a gente não tinha frescura. Deixei de lado os livros que levava todos os dias e comecei a fazer rodízio com a galera. Pra quê levar 4 livros num dia se você pode combinar com os amigos de cada um levar um e fazer dupla né? Tudo bem que fui parar numa mini-secretária que ficava perto da xerox que também era o ponto de encontro da galera. Só uma amiga deve ter se pegado umas 3 vezes naquela mesma coluna. A gente também fazia rodízio de estudos para as provas. Cada um estudava um capítulo e passava a pesca, e levava bronca quem não soubesse a resposta de sua incubência. A gente não valia nada, mas era muito organizado.

O segundo ano foi ainda melhor, nem sabia que daria. Certo que rolou mais briga que BBB em noite de paredão, mas era uma coisa tão legal, os nervos ferviam, a cabeça borbulhava, a língua rolava solta. Fiz tanta coisa errada aos olhos da diretoria e ao mesmo tempo certa aos meus amigos. Inconsequência foi um pecado perdoado naquele ano. A gente inventava tanta merda que a professora de filosofia/sociologia usava nosso exemplo para não ser seguido nas provas. Hilário né? E olha só onde viemos parar. Todo mundo junto até hoje, e todas as meninas sem bucho (isso é um detalhe importante nos dias de hoje). Teve mais feira cultural, interclasse, prova bimestral, aula da saudade (me odiava por chorar tanto, aff) e o ano acabou. Me culpo por desejar tanto as férias, mesmo aproveitando muito, deveria ter sugado cada segundo daqueles 3 anos onde tudo aconteceu tão rápido.

O terceiro ano começou horrível e tenebroso. Primeiro porque era ano de vestibular e eu pensava que queria ser engenheira civil, segundo porque minha melhor amiga tinha saído da escola, e terceiro porque me jogaram na sala dos nerds, me separando assim dos outros amigos. Só sobraram 2, que eram meninos (eu e minha facilidade de amizade masculina), o que me deixou com fama de macho-fêmea por umas garotas da escola. Certo que eu era praticamente a única menina que tentava jogar basquete, mas ''macho-fêmea''? No terceirão, estudei menos, mas pelo menos passei o ano todo sem pescar, o que me faz bater o recorde  nesse ano de 6 anos livre de cola. Cadê meu prêmio nobel? Faltei pra caramba, isso também porque meu melhor amigo arrumou um trabalho suga-vida a noite, ou seja quando ele ia à escola ela vegetava até a partidinha de basquete perto das 10h. O que deu uma sacolejada no terceiro foi a tal feira cultural (de novo), essa sim rendeu boas brigas, porque inventaram de juntar os dois terceiros, então era briga pra blusa, briga pra música, briga até pra quem ia pegar quem, mas no fim saíram todos vivos, com algumas indiretas no orkut, porém vivos. Naquela época eu amava uma boa briguinha. Tinha um ponto positivo porque sou gasguita, o que me tornava incansável e chata e fresca e chata de novo.

O terceiro acabou, quase morri de chorar no ultimo dia. Parecia fim de novela das 9 que todo mundo perdoa todo mundo, tem casamento, a negrada foge pra ser feliz, essas coisas, sabe? Era tanto abraço que devo confundido alguns ombros e chorado em todos eles. Pensei que tudo aquilo ia acabar também, e acho que esse era o meu maior medo.

Hoje consigo entender que o colegial nos uniu, mas ele não nos separou, não foram apenas 3 anos de amizade, foram 3 anos de pessoas se conhecendo para se tornarem amigos quando acabasse tudo aquilo. E foi assim que aconteceu. Sabe aqueles amigos que te tiram do sério, mas não te deixam com raiva? Isso com certeza foi uma das melhores coisas que já me aconteceu na vida.

Obrigada vida, pela oportunidade de ter acordado durante três anos às 05:30h, de ter pego ônibus lotado, de ter ido à diretoria, de ter engordado uns 5 kg com os salgados da cantina... se tudo isso era pra conhecer os melhores amigos da minha vida, valeu a pena. E eu viveria de novo. Quantas vezes fossem necessárias.

ps.: desculpem o tamanho do texto. Ele continua com as histórias de quem pegou quem depois da escola, hahaha.