28 de nov de 2013

APENAS CRÔNICAS: TUDO VOLTA - MARCELLA BRAFMAN

Eu tinha bode desse papo de que “tudo volta”. Até perceber que tudo e todos voltam mesmo. Voltam mais bonitos, mais maduros. Arrependidos ou não. Voltam para te ensinar algo. Voltam quando tem de voltar. Quando é ou não pra ser.

Algumas coisas voltam para nos mostrar o quanto estávamos errados. Como alguém que volta anos depois, quando já amadurecemos o suficiente para entender onde nós ou o outro erramos. Lá na frente, a tendência é a nossa visão ficar mais clara. Sim, os anos aumentam a miopía, mas dizem que desembaçam o coração. Nos abrimos para entender os erros, os porquês e os poréns. O que não pôde acontecer no momento, muitas vezes é esclarecido quando não nos faz mais sentido ter. Afinal de contas, o tempo muda nossas vontades, né? Acontece.


Para aqueles que acreditam em destino, algumas pessoas reaparecem nas nossas vidas por pura armadilha dele. Talvez. Por muitas vezes, abandonei alguém sabendo que teria grandes chances de encontrar essa pessoa lá na frente. Encarar o problema depois me pareceu mais fácil. Enfrentar a realidade de não conseguir lidar com a dificuldade do momento não me fez mais fraca. É justamente o contrário: abrimos mão de algumas pessoas porque precisamos nos fortalecer. Amadurecer, crescer, entender.


O que volta, também pode reaparecer para ficar. Lembro de uma história que ouvi, de um casal que namorou por um tempo na adolescência. A faculdade chegou e traçou dois novos caminhos para os dois. Eles não faziam mais sentido juntos e isso incomodava ambos. Ela começou a construir uma carreira brilhante e ele ficou para trás. Enquanto ela formou e conseguiu um super emprego, ele insistia em levar a faculdade pelos cocos e formar bandas de rock que duravam menos de um ano. O momento os separou, porque naquele instante não era para ser. Depois de cinco anos, o cara estava muito bem de vida, bem resolvido de tudo, compondo para grandes artistas e vivendo do que gostava de fazer. E ela? Hoje, está com ele, que a reencontrou e não a deixou mais escapar. O momento foi esse.


Outros bons exemplos acontecem em filmes. Em quantas comédias românticas você já viu os personagens principais, que estudaram juntos e da maneira mais clichê possível faziam o combo “ela era popular e eu era nerd”, se encontrando por acaso em algum supermercado? Vamos combinar, na vida real não costuma acontecer assim. O amor é um roteiro de filme barato e as coincidências seguem esse script.


A vida é muito louca e a gente nunca sabe o que vem depois. Isso é o mais divertido. Entre todos esses encontros e reencontros que acontecem por ai, em uma coisa eu acredito: a gente não precisa sentir medo. Tem muita coisa que volta só para ir embora de vez

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A Marcella tem uns textos bem legais que falam de amores sem clichê. Ou não. O site dela é esse aqui ó. Visitem :)