2 de set de 2013

NÃO QUERO SER RUIM POR MARIANA GODOY

Olha aqui, gente. Esta semana, depois de longos desabafos com uma mulher que se diz minha psicóloga, diminuirei o estoque da maldade. Não que eu seja uma pessoa ruim, mas é isso que quero ser. Ou melhor, que queria. A vida, o amor e toda essa baboseira de filósofos, ensinaram-me que quando nos fazemos de pessoas ruins, ninguém nos machuca, entristece, pisoteia. E eu acreditava que isso era a melhor coisa do mundo. Quando nos fechamos para a bondade, a bondade se fecha para nós.
Faço latim e francês pela internet. Inglês e espanhol fora dela. Ontem mesmo, saindo do curso de inglês, entrei no ônibus, encontrei um lugar vago para ficar em pé no fundo e coloquei os fones de ouvido. Tudo parece mais calmo quando estamos escutando uma música boa. Quando chove, principalmente. Eu costumo encostar minha cabeça na janela e imaginar um clipe lindo e romântico lá fora. Como se eu fosse a protagonista e o meu namorado – que deve estar perdido por aí – fosse o cara dos meus sonhos. Embora os caras dos meus sonhos sejam sempre os mesmos babacas.
Pobre é uma desgraça. Quando encontra um lugar vago para sentar, dá cotovelada, tapa na cara educadamente e chutinhos no calcanhar da moça que segura sacolas da Pernambucanas. Tudo parecia dar errado na minha vida, até que encontrei uma moeda de um real caída no chão. Não acredito em carma ou destino, mas aquela moeda pedia para ser acolhida pela minha carteira rosa. Discretamente, com a lua brilhando e iluminando a cidade, coloquei o meu pé sobre ela, abaixei para, como boa estudante, amarrar os cadarços e peguei a rapariga. Posso estar sendo exagerada, mas me senti horrivelmente horrível. E o pior de tudo foi que: eu gostei disso.
Ano passado, enquadrei meu ex-namorado na parede e falei que ele havia me traído com sei lá quem – citei a primeira garota que veio em minha cabeça. Eu queria me livrar de um problema e usei alguém que nunca me fez mal para fazer isso. Só existe um porém: eu gostei disso.
Sinto-me tremendamente grata, a menina deveria achar que eu a odiava. Besteira. Salvou minha vida sem saber. O que eu mais gostava no meu antigo relacionamento eram as brigas. Ele não era emocionante em nada, não tinha adrenalina para nada, e eu arruma confusão para sentir-me um pouco mais viva. Só tinha um problema: eu gostava disso.
Desejo loucamente, ardentemente, mudar. Se alguém pedir-me um abraço, venha cá, abraçarei. Intimamente falando, serei amiga de quem quiser ser minha amiga. E prometo não pegar mais nenhuma moedinha no ônibus sem antes gritar “alguém perdeu um real?”.
Antes de querer furar o coração de alguém de novo, perguntarei gentilmente qual proteção irá usar. Assim poderei evitar um desastre. E sentindo-me amparada pelas palavras, e vermelha como um tomate menstruado, peço desesperadamente para que você tenha lido tudo isso psicóloga. Estou cansada de pegar ônibus para ir até você. Às vezes, falta um real para completar a passagem.
Texto de Mariana Godoy, do blog Diário Ciumento. Este blog foi uma das maiores descobertas que já fiz no meu twitter. Mariana, faz uns textos sempre com um fundo de ironia e MUITA verdade. Vale a pena conferir bem aqui.