2 de mar de 2013

APENAS CRÔNICAS: SAUDADE SEM NOME


Com quantos anos começa aquele desespero pelo desconhecido mesmo? Acho que lá pelos 13, seus seios estão crescendo, você está sendo proibida de fazer coisas, ver pessoas, ou filmes na tv. Sua faixa etária não te impõe muitas responsabilidades, mas você corre atrás delas como uma louca, querendo abraçar o mundo com as próprias mãos - mesmo que tenha que pedir permissão a Deus e o mundo pra isso. Ai, que saco, a gente não pode nada, não manda em nada. E quem minha mãe acha que é pra decidir sobre minhas amizades? Nossa, quando eu tiver o meu dinheiro vou comprar todas aquelas coisas de decoração pro meu quarto e todas as coisas mais coloridas e estilosas do mundo pra minha própria casa. Nossa, que sonho! Um dia vou ser independente.
Não, eu não quero. Hoje tô a fim do cheirinho de roupa lavada em cima da minha cama com um belo "vá estudar" logo cedo. Tô a fim de umas proibições ou algo do tipo "saia desse computador e vá dormir agora". Tô com saudade daquele olhar sagaz que descobria tudo mesmo sem eu falar, ou daquele "se eu fosse você não faria isso". Vem com idade: sentir saudades de tudo que você jamais queria que acontecesse. Olhar pela janela e lembrar daquele dia em que você ficou por horas em uma janela esperando o tempo passar e o seu tempo chegar.
É estranho, mas tudo que mais amamos não cresce com a gente. Fica lá naquele cantinho, em algum lugar da casa que você cresceu, mas ao mesmo tempo tão perto que você nem imagina. E não é um objeto, uma roupa antiga, uma foto. É aquele sonho bobo, aquela música que vai ser sua pra sempre, a sua cor favorita... Porque, de repente, você muda, essas são coisas que já não estão mais com você, mas que serão suas pra sempre. Ninguém vai ser jovem pra sempre mesmo. Acho melhor a gente se acostumar. A lavar a própria roupa suja, seja ela qual for. A se proibir mais facilmente, sem precisar de uma outra pessoa pra isso. A não abraçar o mundo inteiro, só a quem e o quê realmente merecem.
Olhar pra trás é tão bom quanto olhar pra frente e ver que a gente não sabe de nada, que somos leigos e perdidos nessa tal de vida e que qualquer esforço é bem vindo. Seja pra rir até desmaiar, chorar até desmanchar ou amar até perder os freios. Viver sem medidas e com saudade é ainda mais gostoso.

Texto de Aline Bérgamo, retirado do blog Nunca fui miss.


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