7 de mar de 2013

ADOLESCÊNCIA

Ainda consigo lembrar daquele ano que foi o mais difícil pra mim. Tudo que acontece na adolescência ganha um tom a mais de drama e dúvidas, acho até que os garotos não deveriam aparecer nessa época, é meio injusto, já basta a primeira menstruação e tensão de briguinhas entre amigas. Mas fazer o que se a adolescência é tudo isso e mais um pouco? Uma pergunta: os meninos suportariam tudo isso também?
No colégio, já não bastava a minha luta diária em ter que me arrumar meia hora antes pra vê se conseguia por meu lápis de olho de maneira que as meninas não rissem de mim, ainda tinha que encarar o garoto que eu gostava com aquele sorriso que dizia: ''oi, sou apenas sua amiga, só quero ser isso, há não ser que você segure minha mão e me pague um sorvete na hora do recreio'', acho que era por esse sorriso, que com certeza era ridículo, que ele nunca me olhava diferente, ou olhava sei lá, não dava pra perceber, porque na frente dele eu sempre tava olhando pra baixo, pros lados, pros livros, pra todo canto, menos naqueles olhos que me hipnotizava todas as noites na foto que eu tinha impresso naquela lan house fajuta que me cobrou quase o valor de um cartucho inteiro por uma foto, nem sei como consegui o dinheiro pra imprimir, mas lembro perfeitamente o endereço certinho do seu perfil de onde eu a roubei. Onde será que ela tá hoje em? Eu costumo guardar coisas importantes do meu passado numa caixa de sapato em cima do guarda-roupa, será que ainda está lá? Não sei! Fora você ainda tinha que cuidar das minhas espinhas que nunca me deixavam em paz, tinha que pegar minha irmã mais nova no fim da aula na parte do infantil II e fazer com que as duas meninas populares da sala me aceitassem (por que elas sempre tinham que mudar de humor?). Acho que adolescência é a fase que você ganha um atestado que diz: ''parabéns, agora sim você pode ser chamada de mulher!'', por que ô coisinha difícil.
Na adolescência eu lembro que foi a fase que me apaixonei pelas mesmas bandas que curto hoje. Vou te contar viu, não se fazem mais músicas como antes. Naquele tempo minha mãe não deixava eu por posters no meu quarto, então eu os colava nos meus cadernos, agenda e porta do guarda-roupa, do lado de dentro é claro, eles eram como super heróis. Não foram minhas amigas que compartilharam minhas primeiras lágrimas pelo tal garoto dos olhos bonitos, mesmo de longe quem me ajudou foi Hanson, Backstreet Boys, Daniel Powter, Link Park, Simple Plan, Ls Jack, e mais um monte de cara bonito que eu nunca conheci, mas que agradeço por cada nota   musical, cada palavra e principalmente por ter me poupado de ouvir a conversa fiada de ''ai, amiga, não chora'' que certamente as meninas da sala falariam.
Sobre o garoto do olho bonito eu só digo uma coisa: eu gostava muito dele. Talvez ele nem saiba disso, mas dias atrás eu o vi e minhas pernas tremeram, assim como no colegial de 2005, isso deve ser coisa de primeiro amor mesmo, ele falou comigo com aquele mesmo olhar que eu tinha, o olhar de segurar na mão e de um sorvete na hora do receio. Será que ele estaria afim de mim? Acho que preciso ativar meus cds antigos porque sinto amor antigo chegar também...




Foto: Anderson Pontes

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