7 de fev de 2013

APENAS CRÔNICAS: SOBRE COMO EU NÃO MORRI POR VOCÊ



Eu corri para o bar mais perto na Augusta e pedi quatro doses de pinga, assim, de cara. Eu sei, eu nem sou de beber, mas eu precisava anestesiar a coisa toda antes que tudo desmoronasse dentro de mim. Eu não sei fazer isso de sofrer por amor. Eu nunca sequer tinha amado na vida antes de você. Aliás, eu odeio isso de separar a minha vida em antes e depois de você aparecer. Por isso, eu fiquei lá naquele bar até o amanhecer e conversei com todos os caras que vieram falar comigo, dei o telefone para todos e fui para casa com um desconhecido.

Eu sei o que você diria se me visse naquela situação. Que eu era irresponsável, que eu fugia de relações sérias e me arrastava nesses contatos vazios com os caras de balada que eu conhecia. Os caras de balada que eu sempre levei para minha cama nunca partiram meu coração, como você tentou fazer quando arrumou suas coisas e foi embora. Eles nunca quiseram me ver sofrer, nem me ver arrependida por não me entregar, nem nunca exigiram que eu dissesse que os amava. Amor é uma coisa muito forte para alguém exigir do outro assim, como você exigia de mim.

Talvez eu amasse você antes das quatro doses de pinga. Antes do desconhecido que eu levei para a cama. Antes da ressaca que eu tive no dia seguinte, quando acordei sozinha, com um bilhete que tinha um nome, um telefone e um “Me liga” qualquer. Talvez eu amasse você antes de você ter ido embora jurando que eu morreria sem você.

Morrer por você eu não morro, mas se você tivesse se dedicado melhor, talvez eu resolvesse viver um pouco por você também. Quem sabe eu até escolhesse viver a vida toda ao seu lado.

Mas eu anestesiei tudo antes mesmo de sentir sua falta. Bebi todas as minhas dores, vomitei todas as nossas falhas. A dor de cabeça do dia seguinte a você foi a única coisa que me sobrou desse nosso relacionamento torto e acabado. Nem coração partido eu tive. A conta do aluguel chegou antes que eu pudesse começar a sofrer por você. Então eu tive que levantar da cama, ir tomar meu banho, correr para o trabalho e ver se arranjava o dinheiro do aluguel, da prestação do carro e daquela viagem que eu te dei de aniversário mês passado.

Talvez eu pudesse realmente ter amado você.

Mas morrer por você?
Aí você já tá querendo demais. 


Texto retirado do blog Isso não é um diario 
Sobre a autora: Karine Rosa é uma garota de 21 anos que não sabe bem o que quer da vida. Mas sabe que colocar sentimentos em palavras é uma das coisas que mais gosta de fazer.



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