17 de ago de 2012

FALANDO DE AMOR: UM TETO DE INCERTEZAS



O dia nasceu como outro qualquer, e o meu defeito é justamente esse. Ver que ele é como os outros. Fico na cama um pouco mais e perco o horário do meu café da manhã. Minha irmã entra e sai do meu quarto procurando aquela minha blusa que ela tanto gosta, afinal hoje é sexta, é dia de animação - só não pra mim. Escuto minha mãe chamar meu irmão, ele faz charme pra levantar, claro. Ouço também o barulho do carro, é meu pai indo comprar pão fresquinho. E eu continuo ali, deitada, pensando, estragando o meu dia. Minha irmã novamente entra e me chama, eu não ligo, só quero ter aquele tempo ali sozinha – aaah que tempo infeliz!
Penso em tudo e não tomo decisão em nada. Penso no tanto que desaponto meu pai sem ele perceber; na quantidade de palavras sem nexo que eu falei pra minha mãe na noite passada, tentando explicar minha euforia sobre a faculdade nova. Penso no bate papo engraçado que tive com meu irmão de 12 anos, que na verdade foi o que salvou meu dia. Penso nas coisas erradas que admiti fazer para o meu melhor amigo, que não me julgou em nada (e isso foi o que mais doeu, ele agiu da forma que eu não agi com ele).
Grande vida essa minha em? Rodeada de amor e separada pela solidão. Uma solidão que é mais perturbadora quando se está assim, cheia. Uma solidão que rir de você ao ter ver com um milhão de pessoas e perguntas. Uma solidão que te dá como café da manhã uma xícara repleta de vazio.
Já está passando da hora. Minha irmã vem novamente no meu quarto. Eu não posso mais ficar ali me torturando. O teto não suporta mais meus olhos fixos. A cama não está mais quentinha e o sol já está invasivo. É! O dia já me derrubou sem nem ao menos eu levantar. Vou para o banho, visto qualquer roupa e saio de casa desejando ardentemente voltar para aquelas quatro paredes coloridas e repletas de fotos. Mas não quero voltar para ‘’pensar’’ quero voltar pra se projetar. Projetar uma mira certa contra essa sensação de NADA.



Um comentário:

  1. além de Pedagoga e Designe ela também é Jornalista!Que infinitude de palavras belas. amei seu texto. beijos . Leudi

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